Remuneração é consequência
da dedicação.


Quantas
vezes ouvimos os nossos colegas de
trabalho, amigos e até familiares
reclamarem de que ganham mal, apesar
de trabalharem muito?
Comentários desse tipo costumam ser apoiados por outros "sofredores",
que, além de se solidarizarem com o queixoso, começam eles próprios
a reclamar das dificuldades que enfrentam e a falar mal da empresa em que trabalham.
Ao agirem assim, esses profissionais não atentam para o óbvio:
eles estão denegrindo o próprio currículo. Afinal, se eles
estão em uma empresa que não os valoriza e permanecem ali, talvez
haja algo questionável na competência deles...
Claro que uma dedução dessas pode ser precipitada e injusta. No
entanto, é quase instantânea. É justamente por isso que temos
de prestar mais atenção ao modo como agimos, aos interlocutores
que escolhemos e, sobretudo, àquilo que falamos. Construir uma imagem
profissional ruim é um dos piores entraves que alguém pode impor à própria
carreira.
Além disso, assumir o papel de vítima é uma atitude destrutiva,
que traz desânimo e uma enorme sensação de infelicidade.
Quanto mais se repete o mantra "sou explorado, ninguém me valoriza",
maior é o desgaste emocional. O resultado disso, com o passar do tempo, é a
queda na qualidade do trabalho realizado. E, quando o profissional começa
a fazer somente o necessário para não ser "disponibilizados
ao mercado" - eufemismo para demissão -, ele se distancia, cada vez
mais, da ambicionada promoção.
Por isso, em vez de nos acomodarmos a um papel que em nada contribuirá para
nos tornar felizes e realizados, devemos nos propor a responder - a sério
- uma questão da maior importância: "Será que eu me
dedico além do que o meu cargo e a minha remuneração pressupõem,
ou me dedico menos do que seria capaz, e por isso ninguém pensa em me
dar um aumento?".
Ser sincero na hora de responder a esta pergunta pode ajudar o profissional a
despertar para os verdadeiros problemas. Assim, ele terá como corrigir
e melhorar suas atitudes, encaminhando-se, de fato, para um futuro digno de seu
potencial e de suas habilidades.
Outro equívoco que deve ser evitado é a confusão entre conquista
de sucesso profissional e "sorte". Enquanto muitos abrem mão
do lazer do final de semana para participar de cursos e workshops, e passam noites
e noites estudando, trabalhando e pesquisando, outros vão para o boteco
com os amigos para criticar os chefes e colegas. Nem preciso dizer em qual dos
dois casos seria justo haver reconhecimento, promoção e melhoria
salarial...
Quem ninguém confunda este ponto-de-vista com pregação a
favor de um estilo de vida árido, sem um pingo de diversão ou relaxamento.
Porém, é claro que alguns sacrifícios são necessários
de vez em quando. Ninguém se torna um expoente em sua área sem
priorizar a carreira.
Por isso, temos que aprender a ver nossa vida de um jeito diferente. Seja no
plano pessoal ou profissional, é importante enxergar além dos problemas
e das dores momentâneas. É preciso ter consciência de que
a vida é uma sucessão de etapas, e que a cada desafio novo que
encontramos, temos uma chance a mais para crescer, nos desenvolver e aprimorar
a nossa capacidade de superação.
A pena é o pior sentimento que se pode nutrir por quem quer que seja.
Se uma pessoa a quem queremos bem começa a fazer o papel de "coitadinha",
o melhor que temos a fazer é conscientizá-la da nocividade dessa
postura. Ter pena de si mesmo, então, é algo que deve estar cem
por cento fora de cogitação: respeite-se para ser respeitado, ou
o máximo que você conseguirá obter é a complacência
alheia.
Um executivo não é formado apenas pelo conhecimento técnico,
mas pela aliança deste com suas atitude, que devem ser pautadas pelo respeito à ética,
pela perseverança, pela dedicação e pela postura séria
e consistente que se espera de um líder. Por isso, um profissional que
almeja evoluir deve parar de pensar em como "está", e passar
a focar naquilo que ele, de fato, "é". Estar num cargo aquém
da sua capacidade é circunstancial; ser uma pessoa competente e em constante
aprimoramento é o que importa de fato.
Marcelo Gonçalves
http://www.jornaldamulher.org/carreira/carreira1209.htm
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